terça-feira, 29 de setembro de 2009

Mais Bernardo Soares...

Há momentos em que tudo cansa, até o que nos repousaria. O que nos cansa porque nos cansa; o que nos repousaria porque a ideia de o obter nos cansa. Há abatimentos da alma abaixo de toda a angústia e de toda a dor; creio que os não conhecem senão os que se furtam às angústias e às dores humanas, e têm diplomacia consigo mesmos para se esquiar ao próprio tédio. Reduzindo-se, assim, a seres couraçados contra o mundo, não admira que, em certa altura da sua consciência de si-mesmos, lhes pese de repente o vulto inteiro da couraça, e a vida lhes seja uma angústia às avessas, uma dor perdida.
Estou em um desses momentos, e escrevo estas linhas como quem quer ao menos saber que vive. Todo o dia, até agora, trabalhei como um sonolento, fazendo contas por processos de sonho, escrevendo ao longo do meu torpor. Todo o dia me senti pesar a vida sobre os olhos e contra as têmporas - sono nos olhos, pressão para fora das têmporas, consciência de tudo isto no estômago, náusea e desalento.
Viver parece-me um erro metafísico da matéria, um descuido da inacção.
Tenho mais sono íntimo do que cabe em mim. E não quero nada, não prefiro nada, não há nada a que fugir.

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

As eleições do Séc. XXI

Ontem o Sócrates venceu e os outros ficaram tristes!"
É a isto que se resume as fantásticas eleições à moda americana que decorreram, em directo por todas as TV's portuguesas, no passado dia 26 de Setembro de 2009.O mais giro, e é mesmo giro, foram...


Para ler mais no Blog: Devaneios

domingo, 27 de setembro de 2009

Intervalo

Nada tendo em mente, de momento, para ser partilhado, deixo apenas excerto com que muitas vezes me indentifico:

"Antefalhei a vida, porque nem sonhando-a ela me apareceu deleitosa. Chegou até mim o cansaço dos sonhos... Tive ao senti-lo uma sensação externa e falsa, como a de ter chegado ao término de uma estrada infinita. Transbordei de mim não sei para onde, e aí fiquei estagnado e inútil. Sou qualquer coisa que fui. Não me encontro onde me sinto e se me procuro, não sei quem é que me procura. Um tédio a tudo amolece-me. Sinto-me expulso da minha alma.

Assisto a mim. Presenceio-me. As minhas sensações passam diante de não sei que olhar meu como coisas externas. Aborreço-me de mim em tudo. Todas as coisas são, até às suas raízes de mistério, da cor do meu aborrecimento.

A mínima acção é-me dolorosa como uma heroicidade. O mais pequeno gesto pesa-me no ideá-lo, como se fora uma coisa que eu mesmo pensasse em fazer.

Não aspiro a nada. dói-me a vida. Estou mal onde estou e já mal onde penso em poder estar.

O ideal era não ter mais acção do que a acção falsa de um repuxo- subir para cair no mesmo sítio, brilho ao sol sem utilidade nenhuma a fazer som no silêncio da noite para que quem sonhe pense em rios no seu sonho e sorria esquecidamente."

Cronógrafo

Cronógrafo é um instrumento que mede o tempo e conserva a unidade.

Hoje, dias 26 de Outubro, fez 2 meses, amanhã, 27 fazia um ano e 11 meses.

O tempo cura tudo, dizem, pois eu não sei se isso é bem assim.
Dói-me tanto ou mais do que à dois meses, e ainda a amo tanto como à 1 ano e 11 meses!
O tempo não cura, vamos é, sentindo novas sensações, emoções, camada atrás de camada, como pó acumulando todos os anos, até tapar tudo o que se sentia!
Este pó não está a assentar rápido o suficiente.

Cronógrafo deriva do nome chronos ou khronos, que na mitologia grega significava tempo. Os gregos antigos tinham duas palavras para o tempo: chronos e kairos. Chronos, refere-se ao tempo cronológico, ou sequencial, que pode ser medido, kairos refere-se a um momento indeterminado no tempo, em que algo especial acontece.

São tantas coisas, tanto amor, tanta dor que este pó têm de tapar. Como posso simplesmente baixar os braços, e esquecer todos os maus e bons momentos? Como? Eu não quero esquecer nada, o meu cérebro recusa-se a esquecer e o meu tempo leva um eternidade a passar.
Farto-me de pensar o que eu faria se pudesse voltar no tempo, já todos pensamos nisso, eu não sou excepção! E eu ia mudar o quê? O meu tempo com ela acabou, não há nada a fazer!

sábado, 26 de setembro de 2009

it takes two...

sábado, 19 de setembro de 2009

Sombra

Sou apenas uma sombra, um mero reflexo do homem que já fui. Já nem consigo chorar, estou seco. As poucas coisas que ainda me conseguem, agarrar, manter ligado ao mundo real, são efémeras, passageiras, como suspiros, como piscar de olhos. Esta horrível dor de dentes, obriga-me a estar concentrado, assim a escuridão não consegue tomar conta do que resta do meu corpo, maldita dor de dentes.

Sinto o pânico crescer dentro de mim, como uma erva daninha, a espalhar-se por todo o meu ser, imparável. Quero fugir, pelas pessoas que gostam de mim, devo-lhes isso, resistir, mas... Algo em mim, algo novo e velho, maligno e benigno, cancro ou anti-corpo, anjo ou demónio, diz-me ao ouvido: "Deixa-te ir, mergulha neste escuro que te espera, e descansa, na tua loucura." Que proposta tão tentadora, largar tudo, deixar de sentir, seja o que for.

Posso fazer analogias mais poéticas, como: "Sou como um navio sem ancora, perdido numa tempestade." Mas eu não sou um barco, e, quando me vejo ao espelho, o que vejo é um zombie, tal iqual; olhos vazios, afundados em olheiras escuras, pele pálida de tons creme esverdeado, magro, tão magro que consigo delinear o meu próprio crânio, vejo todos os meus ossos.

Eu não consigo vencer isto, sozinho, e nem estou a ser orgulhoso ao ponto de não pedir ajuda, simplesmente, eu acho que não mereço, e mesmo que alguém me quisesse ajudar, duvido que saiba como o fazer; eles não se conseguem ajudar a eles próprios, como é que me iam ajudar a mim? E, a única pessoa que me podia salvar, não pode, não deve, não quer.

Patético, eu sempre pensei ser um lutador, um lobo entre as ovelhas, e estou reduzido a isto, e nem sei o que isto é!

Para terminar, ela era a minha ancora, eu já sabia que se a perdesse, que me perderia também. Era tudo o que sempre quiz ter, agora, é o impossível, o sonho acordado tornado pesadelo, por minha culpa.

Ainda bem para ti.

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Resposta ao: "Será que sou uma vaca?"

Afinal até não sou lá grande vaca, há vacas maiores que eu, felizmente.
No outro dia deixei de me sentir tão mal comigo mesmo por ter sido uma grande "vaca".

Numa conversa de café um um amigo, cheguei ao magnifico no 26.
26 mulheres com quem me envolvi em troca de saliva e apalpões, e 12 destas 26 terminaram na posição horizontal, fizemos "o amor", fudemos quero eu dizer!

Toda a gente conhece aquele magnifico ditado que diz: "o passado das mulheres é como a cozinha de um restaurante chinês, se quiseres comer não entres lá!"
Então e o que raio pode haver no passado de uma mulher que nos impeça de estar com ela? À meu ver, nada de nada, mesmo nada! Já um restaurante, se a cozinha for suja... Isto é a analogia mais parva que já ouvi, o passado das pessoas não as torna improprias para consumo, ou saber isto ou aquilo do passado de alguém, se gostarmos, isso não muda nada pois não?

Perdi a virgindade com 19 anos, e nem me lembro da cara dela, só tive 3 pessoas na minha vida de quem eu realmente gostei, e nunca estive numa relação com minguem mais de 2 anos!
Já trai, já fui traído, já estive com duas mulheres ao mesmo tempo, e já fui canalha, e já foram canalhas comigo.
Aprendi sempre qualquer coisa, se calhar aprendi 26 coisas diferentes, erros e certos, coisas boas e coisas más, houve de tudo!

Mas não consigo tirar lição nenhuma disto agora, ou simplesmente recuso-me a aceitar.

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Filmes para chorar...

Ok, serei só eu ou, a porra dos filmes românticos são irritantes como à merda? Devo ser só eu, mas uma coisa é verdade, aquilo não acontece na vida real, simplesmente não acontece, e o meu preferido é o clássico dos clássicos: "As palavras que nunca te direi", uma magnifica adaptação do romance do nosso querido Nicholas Sparks. (...)



Para ler mais no Blog: Devaneios

Respostas

Sei todas as perguntas, e sei todas as resposta. Sei porque elas estão dentro de mim.
Só não sei é se as quero mesmo juntar, uma pergunta certa, com a resposta correcta.

E valerá a pena saber essas resposta? Valerá mesmo a pena, saber o que é certo ou errado?
Eu mesmo sabendo as resposta certas acabei por fazer tudo errado.
Mas não é isso que me esta a deixar(...) como dizer(...) baralhado, é a sensação que tenho,
que à medida que vou juntando a pergunta certa com a resposta correcta me vou afastando cada vez mais dela, e eu não me quero afastar dela.

E a única pergunta, à qual eu não posso ter resposta, a que me daria paz a todas as perguntas,
a resposta certa para mim, a que me faria correcto novamente, essa pergunta, eu não a posso voltar a fazer, porque tenho tanto medo da resposta.

Ser, ou não ser, eis a questão. Pois, e afinal o que quero eu ser, e o que não quero eu ser?
Eu antes, até sabia, quer dizer, pensava, que sabia o que era, pensava que sabia o que queria ser, eu pensava que queria aquilo, e também pensava que ia fazer isto, mas agora, eu gostava de poder voltar a pensar que era aquilo que eu queria fazer, eu gostava de voltar a pensar que era aquilo que eu era, eu gostava de voltar a fantasia do ser eu, e agora que acordei, o eu que sou, não quero ser.

É difícil sermos quem somos quando não somos quem achávamos que éramos, e quem nos pode dizer o que somos não nos diz, primeiro, e só porque, nós não perguntamos, e depois se perguntarmos, ninguém nos sabe como responder.

De uma maneira simples de compreender: pergunto por exemplo a uns amigos meus, quem sou eu? E cada um dele diz o que vê, o que ouviu, e sentiu, sobre, de e por mim, e será que esse sou eu? Mesmo depois de juntar todos os dados, toda a informação, de cada um dos meus amigos sobre mim, isso define-me? Serei eu, apenas um reflexo do meu eu nos outros?
A resposta desta pergunta eu sempre soube, claro que não, eu sou mais do que isso, todos nós somos muito mais do que simples reflexos na identidade dos outros, porque dê por onde der, diga-se o que se disser mostre-se o que se mostrar, nos nunca dizemos tudo, nunca mostramos tudo, nem deixamos sentir tudo.

Eu sei que parece estupidez para muita gente, "despir-me" assim, num blog, ficar vulnerável, deixar que saibam quais são os meus medos, as minhas fraquezas, que eu devia guardar isto para a pessoa que me ama, ou para as pessoas que gostam de mim, que estão ao meu lado.
Eu tentei, eu tentei mostrar-me assim a alguém que amava, mas fui mal compreendido, agora, mostro a todos porque não quero ter medo, e não tenho medo, porque não há nada que possam atirar contra mim, dizer sobre mim que me possa magoar, porque isso faz parte de mim, é aquilo que eu deixei que vissem de mim, logo sou eu.

Gostava de conseguir acreditar com mais força nisto, ou então não passa de outra das minhas mascaras, e não servirá de nada, é só esperar que venha a próxima brisa, e lá se vai o meu castelo de cartas outra vez.

domingo, 13 de setembro de 2009

Nirvana

Nirvana não é aquela banda dos anos 90, com o tal de Kurt que deu um tiro nos cornos. Nirvana é um estado de espírito, uma forma de estar, um sitio melhor, e é num sitio desses que está a minha cabeça, está num sonho, nas nuvens, num lugar de fantasia. É o que parece ser a minha vida, não passa tudo de um sonho e eu estou aqui preso. Lembras-te do filme Matrix? O tal "Neo"? Que sentia que as coisas não eram exatamente aquilo que ele via, é assim que me sinto. Não sei realmente se quero acordar deste sonho, não tenho força para me fazer acordar, não sei como lidar com a realidade das coisas, com a minha realidade.

Até aqui a alguns dias eu pensava que seria vergonha, ou seria só desgosto, mas é tanta coisa que não consigo nem começar a compreender metade, qual metade, um terço do que me passa pela cabeça, sinto dor que não dói, estou claustrofóbico em sítios abertos, tenho falta de ar quando respiro, tenho saudades e não quero ter, amo e quero odiar, odeio mas amo tanto. No outro dia no café um amigo meu disse: "o Variações é que tinha razão", e é verdade, só quero o que não posso ter, só quero estar onde não estou. Mas acho que primeiro tenho de descobrir por onde ando para ver se consigo chegar a algum lado, assim não vou a lado nenhum mesmo.

Voltando ao sonho, estive a dormir durante 2 anos e agora fui violentamente acordado para a realidade, é o que parece que aconteceu, estava hoje num centro comercial, a fumar um cigarro enquanto esperava que uns amigos meus voltassem da loja onde tinham ido e comecei a lembrar-me, de coisas que já não me passavam pela cabeça havia anos, coisas que aconteceram mesmo, mas agora parece que fizeram parte de um sonho, que nunca foram reais. Eu era feliz nesse sonho, será que consigo voltar a dormir e sonhar com o mesmo? Quem me dera nunca mais acordar.